A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal realizou nesta quinta-feira (12/4) Audiência Pública para discutir a exigência de uso do Registrador de Ponto Eletrônico (REP) em empresas, conforme determina a Portaria 1.510/2009, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O Senador Paulo Paim, relator do Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 593/2010, apresentou o Requerimento n° 32/2012, que ensejou a Audiência, com o objetivo de colher subsídios para a formação de seu relatório.
Participaram da Audiência as seguintes entidades: Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA), Procuradoria Geral do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Fórum Sindical dos Trabalhadores, Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT), e Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF).
Para Rosângela Rassy, Presidente do Sinait, mesmo precisando de aperfeiçoamentos, o Sistema de Registro Eletrônico de Ponto (SREP) é necessário para evitar desrespeitos à jornada de trabalho e a não computação correta de horas extras. De acordo com Rassy, parte considerável dos 17.657 autos de infração registrados em 2011 está relacionada ao registro de ponto, contestando a informação divulgada na imprensa anteriormente.
Damião Cordeiro Moraes, Gerente de Relações Institucionais da CNF, afirmou durante a audiência, que serão grandes os impactos econômicos para empresas com a implantação dos Registros de Ponto Eletrônico (REP). O representante do setor financeiro citou o Parecer do Senador Armando Monteiro, no qual estima-se que 400 mil empresas terão que implantar os novos equipamentos, com gasto adicional de cerca de R$ 5 a R$ 6 bilhões para a compra, implantação e administração do novo sistema. De acordo com Moraes, a adoção do sistema vai contra medidas adotadas recentemente pelo Governo Federal para desonerar a folha de pagamentos e não traz segurança jurídica para as empresas. O representante da CNF argumentou ainda que maior parte do setor empresarial cumpre corretamente o registro de ponto eletrônico, portanto, a legislação trazida pela Portaria considera a exceção e não a regra. Citou ainda diversas decisões proferidas pela Justiça do Trabalho no sentido de considerar ilegal a exigência do REP, na forma da referida norma.
O Gerente Executivo de Relações do Trabalho da CNI, Emerson Casali, alertou que 35 milhões de trabalhadores do setor privado terão que se submeter ao regime do ponto eletrônico. Casali destacou também a inexistência de SREP certificado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e que mesmo assim as empresas já estão sendo obrigadas a implementar esses sistemas desde 2 de abril deste ano. O representante da CNI também ponderou que dos cerca de 35 mil acordos coletivos vigentes, poucos tratam do SREP. Nesse contexto, a CNI chamou a atenção para o fato de que mais de 50% dos registros de ponto hoje não possuem validade jurídica devido à Portaria 1.510/10, o que indica a necessidade de nova suspensão dessa norma para que sejam mantidas as negociações para a a efetiva solução com o Governo.
Luciene Fontes, representante dos pequenos fabricantes de relógio e sistemas de ponto , apontou os vários problemas técnicos que inviabilizam a operacionalização segura e inviolável do SREP: o papel não dura 5 anos como estabelece a norma; o equipamento não protege os dados contra fraudes; não há backup para resguardar as informações em caso de defeito do equipamento; entre outros.
Segundo a CNC o SREP já nasceu errado. O Vice-Presidente da entidade, Deputado Laércio Oliveira (PR/SE), ressaltou que os empresários trabalham para gerar emprego, renda e riquezas para o país, o que deveria ser motivo para uma mudança no paradigma que se tem sobre o empresário, destacando que a maioria das empresas respeita os direitos trabalhistas e entende a necessidade de uma regulamentação racional. Laércio também ressaltou que apenas o MTE resiste ao aperfeiçoamento da Portaria 1.510/09.
Os representantes dos trabalhadores, da Anamatra, da ANPT, do MTE e da Procuradoria, de um modo geral, defenderam a continuidade da Portaria 1.510/09 como único instrumento legal vigente que pode garantir a proteção do trabalhador contra o excesso de jornada e a adulteração de horas extras, apesar da necessidade de vários ajustes técnicos, legais e operacionais.
No final dos trabalhos, as Confederações Patronais reafirmaram e registraram posicionamento favorável ao PDS 598/2010, para que a Portaria seja sustada.
O Senador Paim sugeriu que os representantes das entidades presentes mantivessem o diálogo sobre o tema para verificar a possibilidade de uma solução para os problemas gerados pela norma. O parlamentar verificou que apesar das divergências sobre a necessidade de sustação da Potraria 1.510 de 2009, todos os expositores deixaram claro que a norma carece de aperfeiçoamento para de fato garantir a segurança jurídica nas relações trabalhistas. A representante do MTE, Vera Albuquerque, sugeriu a criação de uma comissão tripartite permanente para avaliar a implementação do SREP.
Fonte: CNF (12/04/2012)